02 maio, 2015

Das verdades mal (ditas)



É verdade, eu gosto do silêncio. É verdade que, às vezes, pra me dar ouvidos, eu preciso te olvidar. E, pra me ver, eu precise te apagar, pra, quem sabe, me apegar a qualquer coisa que me devolva o ar, que me traga paz e me seja cais.
É verdade, é verdade que há limite para tudo nesta vida e que não há vida para tudo aquilo que nos limitamos. Sei que das minhas fronteiras já não quero mais me aproximar, sei que de outros mundos, por enquanto, não quero me arriscar. Quem sabe em outras rimas, em outros versos se façam par, embora sempre ímpares. Embora sempre espessos e dispersos.
A madrugada me abraça. É verdade. Carinhosamente, me afaga. A noite guia minha mente e modela minhas palavras para que elas saiam em passos e ritmo leves, que dancem feito plumas, não como facas. Que me façam graça, não mais desgraça.
É verdade que em todo nunca mais mora o medo do mais uma vez e em cada despedida, uma vontade de ficar. Em cada não, reside uma dúvida e em todas as dúvidas, mais e mais incertezas. É certo que atrás de cada escolha, corre uma consequência e em cada consequência, um outro lado que ficou pra trás.
Somos exatamente aquilo que escolhemos ser. Somos e-xa-ta-men-te aquilo que nos permitimos ser. Colher os frutos às vezes dói, às vezes cansa, porém, é necessário. É verdade que todo coração esconde uma cicatriz e, cada cicatriz, uma história. É verdade que cada história já foi bonita um dia, já foi feliz uma noite, já fez silêncio na madrugada, já foi promessa ao pôr-do-sol, já foi só risos no amanhecer.

É verdade, cada um sabe de suas dores, sabe de suas cores. A única mentira é tentar esconder.

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