20 outubro, 2014

Me faz chorar e é feito pra rir



A gente sabe que é amor quando não sente mais vontade de ir embora do abraço. Quando o colo vira ninho, a companhia vira riso e a alegria vira verso. É quando o laço vira nó e não desata. Amor, amor-mesmo, a gente [re]conhece de longe, a gente avista na curva. E não adianta, a gente não consegue fugir, não consegue fingir, não consegue desviar. Amor, amor-mesmo é quando a gente se doa – e se dói, de vez em quando.
É quando as bocas se encaixam e não perdem o jeito, apesar de. É quando os corpos conversam, se atraem e dançam em sincronia não ensaiada. É quando o ritmo não se perde, mesmo que a música não toque com frequência. A gente sabe que é amor quando a falta sobra pelos cantos da casa, quando a cama – larga – é pequena pra caber tanta ausência. A gente sabe, embora ache que não. Amor é quando você levanta de madrugada e vai correndo escrever, é quando esse amor todo transborda no peito e escorre pelo papel.
Amor, amor-mesmo, é quando a gente não sabe nem explicar, é quando os porquês não têm importância e as palavras são desnecessárias, é quando o ‘apesar de’ não é nada perto do ‘sempre que’.

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