08 julho, 2012

O amor fugiu de casa. Trancou a porta, levou a chave, pulou o portão. O amor subiu o morro, andou de bonde, pegou trem e outros atalhos. O amor se mudou a quilômetros e quilômetros de mim. O amor botou fogo no meu álbum de fotografias, agradecida, sorri de volta, porque era o único jeito de seguir inteira, sem passado me acorrentando. O amor bebeu remédio, tomou pílulas da paciência, muitas pra dormir. O amor gastou horas no cinema, em parques de diversões, discotecas e campos de futebol. O amor gastou o único dinheiro que tinha em restaurantes caros, vinhos franceses, festas de luxo. O amor, de uma hora pra outra, resolveu sumir do mapa, sem deixar conta nem endereço. Levou as malas, os cartões de crédito, certidão de idade, o livro do Senhor Stendhal.
Mas quando o Seu Chico fala, é pra se gravar na memória com giz colorido "O amor não tem pressa. Ele pode esperar em silêncio. Num fundo de armário. Na posta-restante. Milênios, milênios. No ar ..." Dei pra esperar, porque nada, nada é pra já ...
Dia desses, o amor volta mansinho.
O amor vai lamber os meus pés, pedir casa e comida, dizer que sente frio.
Eu como sempre, prepararei o jantar, farei bombocados, café quentinho. Tirarei seus sapatos, farei compressas de água quente, darei banho e o colocarei pra dormir. Antes de fechar os olhos, o amor se atrapalhará todo no EU TE AMO.
Mas eu o acreditarei mesmo assim. Porque amor não escarnece e nem zomba da gente. Amor também não morre. Só reaparece depois da chuva, pra assustar a gente num pulo e voltar assim, mais vivo que o sol, mais florido que nunca, com cachos e mais cachos de ternura.

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